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2006-10-19

 
"AS AVENTURAS DA PRINCESA SISSI NO MUNDO DAS PESSOAS CRESCIDAS"

A Boa

"Há qualidades que admiro numa mulher. Ter classe, nível, saber falar, saber estar calada, ser articulada, de pensamento rápido. De resto admiro isto em qualquer pessoa. Mas há um grupo de mulheres que com o tempo vem ganhando a minha simpatia, e lugar de destaque na minha lista, infindável, de curiosidades sobre o ser humano. Chamei a esse grupo o das Gajas Boas.
Nos tempos, por vezes confusos, em que vivemos, ser Boa não tem preço. Quase equiparado ao ser Inteligente, o desenho que nos foi dado pelos genes e pela faceta aleatória da vida faz do nosso corpo uma verdadeira arma. Obviamente que ser Boa sem ser mais nada não é suficiente para atingir o Olimpo, dirão vocês. Mas um estudo aturado da espécie, com bastante inveja à mistura, diz-me que ser Boa, por si só, é como uma calçadeira. Ajuda a entrar na forma do sapato.
Uma Boa não pode tudo. Mas pode muita coisa… Pode, pode por exemplo, ser burra, ter mau gosto, não saber soletrar, ser inconveniente, ou mais prosaicamente, furar uma fila, conseguir não ser multada por excesso de velocidade, não ser despedida por incompetência, amaciar um taxista irado, enfim, sair-se bem de um conjunto de situações que poria em cheque, ainda que momentaneamente, qualquer outra mulher menos Boa.
Para além disto, às Boas está reservado um código e registos sociais diferentes. Um homem embeiçado por uma Boa (passo o pleanasmo…), acha sempre que uma bufa vinda da Boa não é mais que um gás expelido com graciosidade das nádegas do Belo ser. Tal como uma Boa que chegue sistematicamente atrasada (sinal, quanto a mim, de falta de chá…) é uma mulher activa com uma agenda carregada. Uma Boa que não seja particularmente comunicativa é, automaticamente, alguém que encerra um aura misteriosa.
Sendo que as regras do mundo são ainda ditadas pelos homens, o poder das mulheres toma variadas formas. Como uma gárgona que com as suas várias cabeças vai furando por onde pode na intrincada teia da luta de poderes. Ser Boa é um acidente. Nasce-se Boa. Mas é, quanto de mim, uma Via Láctea para o sucesso social e profissional. A Boa move-se nas auto-estradas. As outras nas estradas secundárias. Já se sabe quem chega primeiro à portagem, mas qual das duas fará a viagem de volta…?"

Texto retirado do http://cenasdegaja.com "Aventuras da Princesa Sissi no mundo das pessoas crescidas".

Leiam e desfrutem!

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