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2004-01-17

 
BREVE NOTA SOBRE FRANK O'HARA

Conheci a poesia de Frank O'Hara numa antologia organizada por Manuel de Seabra sobre os novos poetas norte-americanos e a sua poesia. o livrinho editado pela futura em 1973 ainda me acompanha nos dias de hoje...nessa época era o puto apaixonado pela poesia...e o poema de Frank, intitulado "A Industria Cinematográfica em Crise" surgiu como se alguem me tivesse dado um soco no estômago...fiquei simplesmente sem respiracão...e nunca mais me esqueci dele...e de todos os poetas americanos da sua geração...e consequentemente da literatura beatnick...depois ao saber como a vida está presa apenas por um ligeiro fio...fraco e frágil...decidi contemplar as ondas do mar com o meu olhar no silêncio dos dias...e muitas vezes descobri marcas de pés na areia húmida da praia...e inevitávelmente pensava que o Frank tinha estado nesse dia naquele lugar...esse lugar que ele pisou pela última vez...e cuja beleza não o deixou ver o carro que o iria roubar do nosso convívio...mas os poetas... (sim! na poesia não há grandes e pequenos poetas...há apenas poetas e poemas)...sejam aprendizes ou consagrados...premiados ou simplesmente de gaveta...nunca esquecerão este homem, cuja poesia nascia dos temas mais simples e das pessoas anónimas que com ele se cruzavam nas ruas de Nova Iorque, enquanto ele seguia para o Moma onde trabalhava. Nascia assim o seu convivio com a pintura e com os seus artistas, Jasper John, de Koonning, Rauschenberg entre outros...na poesia encontrou em Kenneth Koch e John Ashbery a amizade (ambos já publicados entre nós)...mas nunca constituíram um grupo homogéneo como os beat de S.Francisco...devido talvez à sua singularidade...embora todos eles fossem beber a poesia de Walt Whitman - o pai de toda a moderna poesia norte-americana - O cinema, o teatro e a pintura acabaram também por surgir como matéria para os seus poemas...assim como já em menor escala a música (jazz). Ler hoje Frank O'Hara é um daqueles pequenos prazeres que nos enchem a alma de alegria, já que por vezes a vida insiste em nos oferecer por vezes a amargura e a tristeza...sabe na verdade muito bem beber a sua poesia nas noites frias de inverno, ou numa outra estação mais quente saborear a frescura das suas palavras, numa esplanada de uma praia ao cair da noite.
O Mestre de quem ele fala no poema "Cambridge" é claro o Boris Pasternak, autor do célebre "Dr.Jivago", Nobel da Literatura e fabuloso poeta (recordam-se dos poemas de Jivago para Lara?) e que viveu prisioneiro na sua terra mãe.
Frank O'Hara é um daqueles nomes que é urgente descobrir...e o Pasternak é o outro senhor, mas esta é apenas a opinião aqui do escriba...Aqui vos deixo outro poema do Frank...este cinematográfico...

POEMA

Lana Turner desmaiou!
Eu deambulava e de repente
começou a chover e a nevar
e tu disseste que caía granizo
mas o granizo acerta na cabeça
com força por isso estava a nevar
e a chover e eu tinha tanta pressa
ía ao teu encontro mas o tráfego
comportava-se exactamente como o céu
e subitamente vi um cabeçalho
LANA TURNER DESMAIOU!
não há neve em Hollywood
não há chuva na California
eu estive numa data de festas
e portei-me de forma desgraçada
mas nunca tive um desmaio
oh Lana Turner amamos-te levanta-te

Frank O'Hara

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