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2004-01-04

 
Com os sapatos gastos...

Com os sapatos gastos de tanto
Percorrer ruas, seguimos juntos
Pela escuridão,
Apenas a lua tenuemente ilumina
Os prédios, onde olhos sem rostos
Nos espiam,
E seguimos a medo;
O frio gela-nos a alma
E emudece-nos as palavras
As sombras das árvores
Parecem ter vida e dançam
Como num ritual
O vento assombra-nos a mente
E o seu sopro parece um riso de escárnio;
Seguimos ébrios, as pernas já se nos dobram
O cansaço fala mais alto
Os corpos fracos não resistem
Damos as mãos e caímos por fim;
Chegamos à porta da eternidade

Ana Cristina Augusto

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