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2004-06-09

 
A Morte de Sousa Franco

Conheci mal o Professor Sousa Franco, apesar de ter trabalhado três anos lectivos como Monitor da Cadeira que ele então regia na Faculdade de Direito – Finanças Públicas. Mas fui-me apercebendo das suas qualidades como docente, dirigente partidário e governante. Todos dizem, hoje, que era um homem bom, motivado por convicções fortes. Todos reconhecem, hoje, que foi um excepcional docente, um bom Presidente do Tribunal de Contas e um bom Ministro das Finanças. Mesmo os que o rotularam de “pai do deficit” e o tentaram ridicularizar da forma mais primitiva. Todos afirmam, hoje, que a sua morte é uma perda irreparável para a Democracia. E todos, agora em coro, elegem a vida como bem supremo, que deve estar acima de tudo.

Pena é que só descubram isso perante a morte. Pena é que não respeitem isso perante a vida. E o pior é que vão voltar a esquecer isso daqui a uns poucos dias. Porque, infelizmente, tudo vai voltar ao mesmo na cena política. A vida continua, claro. Mas o que me aflige é que haja gente que não seja capaz de retirar lições, que persista na efemeridade das coisas inúteis. Até ao dia em também tenham direito a elogio fúnebre. É a vida... ou a inconstância do discurso e das convicções. É, enfim, a ilusão do poder.

À Dr.ª Matilde, minha colega de trabalho durante alguns anos, os meus sentidos pêsames.


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