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2005-09-19

 
Estes Passes Sociais afinal interessam a quem ?

Mais uma vez o governo português resolveu oferecer uns milhões às empresas privadas rodoviárias de transporte a pretexto de as mesmas se manterem abrangidas pelos passes sociais. Em época de vacas magras, era bom que se pensasse se o actual modelo de passes sociais serve na verdade para alguma coisa.

Claro que a existência de títulos de transporte que permitam a utilização dos vários modos de transporte é benéfica, mas a estrutura concêntrica do sistema de coroas na região de Lisboa é uma aberração. Se uma pessoa viver em Loures e trabalhar em Lisboa, compra o passe L12 que lhe dá realmente para todos os transportes que precisa, mas está igualmente a pagar a possibilidade de se deslocar ao Porto Brandão, a Massamá e a toda uma série de povoações que pertencem a essa coroa e que não lhe interessam nada.

Por outro lado, essa mesma logica da zona L e das coroas 1, 2 e 3, toma como certo que Lisboa é o centro do mundo. Tal não é verdade, aliás não só Lisboa continua a perder habitantes como também já começou a perder emprego. Cada vez há mais cidadãos que vivem e trabalham na região de Lisboa e que, se têm de passar pela capital nas suas deslocações diárias, é só pela deficiente estrutura de transportes existente.

É por isso que mês após mês a venda de passes sociais diminui, e aumenta a venda de passes combinados (passes válidos em duas ou mais empresas de transporte). A única parte que mantêm o social é que apenas nesses passes existe desconto para a terceira idade.

No Porto, felizmente, o bom senso ganhou e os títulos de transporte são únicos para os vários operadores e geridos por uma única empresa, a TIP. Também a lógica de zonamento, por favos, permite que cada cliente possa escolher quais as zonas que pretende que o seu passe abranja sem que a cidade do Porto tenha de ser o centro da sua vida.

Era tempo que alguém visse que, por vezes, não é só no futebol que os bons exemplos nos chegam do norte.

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